12 de abr de 2014

nós, gatos.





Era por volta das 8 hs da noite. Chovia o suficiente pra chegar na plataforma do metrô com os tênis ligeiramente molhados, mas a mochila intacta protegida pelo guarda-chuva. 
Eu sempre ando com a cibershot nela ou na bolsa de mão, porque em algum momento implantou-se no meu cérebro que eu definitivamente não vou usar a câmera do celular. Não sei por quê. Já era assim antes de eu ser fotógrafa, e só piorou.
Lá de cima, olhei para a chuva sobre os carros apressados - todo paulistano quer, mais do que tudo, chegar em casa... e tinha aquelas manchas novas no asfalto, talvez resultantes da tinta derramada quando o graffiti do muro divisório da igreja foi pintado.
Um pedaço apenas do meu pedaço. Aí eu cresci e conheço cada palmo. 
Nesse trecho da plataforma, insistentemente, eu tenho traçado rotas há anos.
E apesar de tudo, de hoje, da pressa, das notícias, do mundo... eu tirei a camerazinha da mochila e cliquei. 
Porque à noite os gatos são tão pardos, que eu quase consegui ver as minhas sete vidas entre os faróis.