11 de nov de 2013

teoria do cais

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da estação Ana Rosa até minha parada em Santana, coisa de pouco mais de 35 minutos talvez, me pego zarolha e com a vista ardendo, pescoço duro e imóvel, fixada e siderada numa viagem mental através da impossível borboleta monarca ancorada na parede interna do vagão, bem atrás da nuca da velha senhora à minha frente.
não está morta, senão cairia em algum dos solavancos ou corrente de ar quando as portas se abrem. está viva. está viva?
próxima parada ela cai. não cai. está grudada? está morta?
está mais viva que os passageiros, pondero. só errou o itinerário.
é uma monarca? vira-lata? borboleta sem raça definida?
mas não cai nem a pau.
e quase me esqueço de descer em Santana.
e ela fica, quiçá vá sair voando só na Parada Inglesa, já que as monarquias se atraem.
eu vou pra casa pensando na Teoria do Caos e o exemplo do bater de asas de uma borboleta no Brasil, que o Edward Lorenz disse ser capaz de desencadear um tornado no Texas.
talvez a minha monarca, soberana de si, estivesse imóvel em plena consciência do caos, teórico e concreto.



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