21 de nov de 2013

20 de novembro

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Lamento se o que vou dizer possa ferir a sucetibilidade de alguns de meus amigos e contatos das redes sociais e blogs, mas é uma reflexão honesta e que julgo necessária no dia de hoje.
De todas as postagens que tenho visto durante a semana que transcorre, referentes à data de 20 de novembro, colocando em pauta ora uma alusão à inutilidade do feriado, ora uma desnecessidade de afirmação já que todos somos humanos e “deveria só haver um dia da consciência humana” (sic) – quero salientar que em absolutamente nenhum dos casos tratou-se de uma pessoa negra fazendo postagem desse teor.
Isso, para mim, diz muito. 
Obviamente que somos todos seres humanos e não existem diferenças fundamentais além da dosagem de melanina que cada um herdou. Porém estamos diante de uma sociedade ainda absurdamente racista, que em verdade não contempla com oportunidades iguais e nem tratamento igual a seus membros, e isso se dá insidiosa e veladamente, tanto quanto escancaradamente das formas mais nefastas e hediondas possíveis.
Se é difícil para você, que como eu sofre de grave escassez de melanina, enxergar essa realidade gritante... há duas possibilidades honestas, meu amigo: aprofundar-se um pouco e conhecer na medida do seu possível as agruras diárias e discriminações sofridas por quem tem a pele negra, ou então assumir o desconhecimento dessa dor como parte alijada de sua vivência pessoal e não desvalorar a luta alheia.
É necessário sim, ainda, e quiçá por muito tempo, assinalar no calendário e na consciência coletiva o fato de que muito precisa ser feito até alcançarmos uma plena maioria de mentes e atitudes igualitárias neste país. Cada ato de afirmação do povo negro é um resgate da dignidade que foi e ainda é diariamente aviltada, e que merece respeito. É um contraponto à mídia oficial, à empresa que nega a vaga, à novela das oito, ao olhar desconfiado do segurança da loja do shopping, à madame que fecha rápido o vidro do carro, e tantos outros abusos psicológicos e materiais. O contraponto, diante da realidade, ainda se faz necessário. 
Dia 20 de novembro é necessário.

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