5 de dez de 2011

de calcanhar







Não tenho time. Não acompanho futebol. Lembro com carinho da copa do mundo de 70, assistida inteirinha com meus pais. Lembro com carinho da copa de 82, assistida inteirinha com o pai de minha filha, na época meu namorado. E é mais ou menos por aí que se resume a minha relação com o futebol. Meu pai era corintiano. Talvez isso seja das poucas coisas que não herdei dele. Não tenho time. Não acompanho futebol. Tenho forte resistência a fechar questão com as coletividades. Religiões. Times. Partidos. Associações de bairro. Só fecho questão com o detalhe. Com doutor Sócrates eu fechava questão. Não em tudo. Mas no geral. Fechava questão com a 'aberração' de haver um jogador de futebol que era poeta em campo e escrevia peça teatral fora dele. Fechava questão com um cidadão que tentava praticar medicina mantendo o juramento de Hipócrates ao pé da letra, atendendo pacientes a domicílio. Fechava questão com um cara que, em plena vigência da ditadura militar, usava da extrema popularidade do seu time para mostrar que democracia era uma coisa possível dentro e fora do estádio. Acho que ele estava mais pra anarquista, no melhor sentido da palavra. Acho que ele estava mais pra brasileiro, no melhor sentido da palavra. Acho que ele estava mais pra ser humano, no melhor sentido da palavra. Acho que ele fechava questão com a vida, no melhor sentido da palavra. 
R.I.P., doutor.