24 de ago de 2009

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Você escreve qualquer loucura que lhe vem à cabeça e divide com meia dúzia de amigos tão doidos quanto... um dia, entre o café, o sanduba e o mouse, percebe que umas dez mil pessoas estão lendo aquela coisa toda. Dez por cento delas estão ostensivamente lhe mostrando que lêem de verdade, não é só uma espiada.
Você se pergunta o que saiu errado.
Olha pro lado pra se certificar que ninguém está vendo você mastigar o sanduba.
Pensa em suicídio digital e toma mais um gole de café.
Termina o sanduba, acende um cigarro e procura o tal comando para deletar essa tralha de uma vez. Toma a firme decisão de que depois disso vai começar uma ginástica, parar de fumar, fazer um peeling e usar pelo menos doze posições do kama sutra.
Está a um passo de uma nova vida.
De repente toca o telefone... é telemarketing – um troço que inventaram pra provocar amnésia instantânea e obliteração dos seus mais elevados propósitos pessoais.
Você volta pro computador já sem lembrar direito o que ia fazer... acende outro cigarro e tem uma puta idéia para um poema.
Ele não fica bem do jeito que você queria, mas enquanto está editando, pula uma janela de messenger aberta bem na sua frente, e depois de passado o susto, você vê que é aquela sua amiga que finalmente vem te visitar depois de três anos de papo virtual, muitas confidências e muitos quilômetros de distância... ela quer combinar tudo para o dia da chegada.
Vocês conversam animadamente... e depois que ela desliga, você não sabe mais se o poema vale alguma coisa.
Mas sabe que não vai deletar porra nenhuma.



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