2 de nov de 2008

do amor

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É 2 de novembro e eu não tenho cemitério para visitar. Não que queira, pelo contrário.
Há algumas décadas tomei a decisão de ignorar o paradeiro de meus mortos... na ocasião achei que me faria a dor amena, que a cena gravada em mim precisava ficar sem o final.
Também de certa forma uma vingança por mais essa desestruturação de meus passos, por ter eu que me haver com a vida sem ter acabado de amarrar os sapatos.
Foi se (re)velando ao longo do tempo o ritual negado do corpo presente - no esmaecido fotograma do abraço que aquecia o coração.
Mas também se refazendo o laço mais são, a cada vez que cometia os mesmos enganos... assemelhando os erros e os anos.
E num desses caminhos vivos, herança: de algum modo percebo que deixaram uma chave a mais para trás, quase sem tempo e já de partida - apenas apostando que eu saberia usar.
E por isso vou além do que foram. Portas nunca antes abertas.
E em cada novo titubear de mão na maçaneta, penso seus olhos... mãe, pai.

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