8 de jul de 2008

Essas coisas...

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(para Aldo)

... então, como eu te falei: aí eu estava tentando escrever um poema daqueles que fazem sucesso, daqueles tristes de doer os ossos e a alma ficar gélida quicando nas estrofes e se partindo em pedaços que sofrem coletivamente... aqueles poemas de inverno, saca? já que estamos mesmo nesse frio de lascar. Introspectivo, denso.

Ah, eu adoraria escrever desse jeito!

Muitas daquelas coisas que só absorve quem está em completo estado de dilaceramento cardíaco (sabe aquele aperto que dá? então)...
E deixar que escorressem todas as lágrimas, os féis e fenóis e éteres e toxinas e o diabo a quatro... coisas que costumam escorrer na amargura, na solidão e nas crises existenciais profundas.
Aliás, não são coisas... coisas são prosaicas demais pra tanto sofrimento: são “cousas”.
Cousas que escorressem e torturassem... isso sim poderia produzir uma poesia arrebatadora!
E silêncios pesados... muitos silêncios. Pausas sufocantes.

E nada. Tentei diligentemente (quase insanamente) escrever o tal poema.
Aí que me restavam duas opções: me conformar com a incompetência, ou pensar a respeito... e por pura preguiça de me condenar, resolvi sentar nessa nossa poltrona e ficar divagando a esmo sobre tudo.

E enquanto penso... você está por aqui fazendo suas coisas...
e presto atenção: você presta atenção em mim
ri comigo - e de mim - quando precisa
entende os meus olhos, e conhece todas as “cousas” que já passei e as aceita
conserva esse jeito completamente insubordinado ao pesar... ainda agora!
e traz vinho, beijo e queijo na mesma medida...

Eu afundo na poltrona sorrindo de canto, dando adeus à poesia talvez,
e pensando que o inverno vai ser bom nos teus braços.

19/05/2008