29 de jul de 2008

A conferência




Sentaram em volta da grande mesa.
Enfim estavam reunidas naquele evento único e memorável... podia-se ouvir o burburinho na sala enquanto tomavam seus deslugares: estavam todas emprestadas provisoriamente de suas atividades costumeiras, havia sido uma negociação subornante trazê-las até ali.
Olhavam-se ameaçadoramente e por vezes intimidadas umas com as outras... o ambiente era cumulus nimbus.
A mais prestativa (fitada com desprezo pela intelectual) logo tratou de servir água e café a quem de direito, sem esquecer os docinhos da menina tímida e a ampola de sangue da vampira. Uma outra no canto ficou apenas sorvendo ar, bem ao lado da lasciva - que ficou sem nada para sorver porque a situação não permitia.
Outras tantas foram se servindo, manias na mesa posta.
A proposta era de cooperação... já que tudo andara se colidindo durante as geadas de inverno, rachando paredes e comendo fundações... os matizes faziam-se necessários.
E assim prosseguiu a tal reunião insólita, permeada de algumas conciliações, ofensas e choros de parte a parte...
Lá pelas tantas, barulho ensurdecedor salão adentra um bardo... achando se tratar de uma festa, acreditou-se lépido. Constatou o engodo assim que as primeiras estapafúrdias lhe caíram sobre a cabeça oca. Fez-se muxoxo.
Adesivamente decidiu que queria tomar parte nas negociações.
Com alguma relutância foi-lhe permitido que ficasse, contanto que se portasse aos modos e entoasse só canções novas, já que as velhas não tinham funcionado de modo algum.
Vacilou, desafinou-se... mas foi esganiçando até que lhe saíram trovas que dissiparam as trevas.
Aplausos gerais na mesa... ele conseguira predispô-las à liberdade.