há que inutilizar a palavra
reduzi-la ao murmúrio átono
do átomo vazio
há que desnudá-la
e destituí-la do seu
poder
até roer as cordas
do signi ficado
até que restem, sós
fragmentos do nada
até que sobrevenha
irreversível ]
o poema.
.
há que inutilizar a palavra
reduzi-la ao murmúrio átono
do átomo vazio
há que desnudá-la
e destituí-la do seu
poder
até roer as cordas
do signi ficado
até que restem, sós
fragmentos do nada
até que sobrevenha
irreversível ]
o poema.
o que fazer dos extremos
enquanto sou centro?
inexatidão periférica
que expande e contrai
onde antes fronteira
o que antes front era
de momento a momento
quero a turva desmedida
quero a singularidade
sendo em paz.
o espaço
que o silêncio ocupa
........................
.................
...........
......
...
.
.
não é vão.
quando as falas
viram foles
de ar repio
e poesia
é só um toque
tão primal
quanto
a barba por fazer
arranhando
meu verniz
do modo sempre
inaugural
quando tudo
apenas é
pra
z/ser.
de volta
envolta na palavra embrionária,
desfaço a mala?
já de passagem ao novo
louca
é a bagagem]
agora que o olho é mira
pesada artilharia
na captura
na estendida linha fina
entre a normose e a lowcura
quantos sóis se levantaram?
quantos são na estatística
que na falta de vacina
optaram
por morrer de tédio
a qualquer instante podemos descobrir que não nascemos um para o amor.
e muito menos para o outro.
(Heduardo)
******************
nunca soube separar
a poesia da vida
a chegada da despedida
a carta do baralho
o coração do caralho
esparta de atenas
o que vai do que dura
tudo apenas
se mistura.
(Carito)
******************
A poesia
não leva a nada.
Leva a tudo.

